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A JORNADA
"Se o homem partisse em sua loucura,
tornar-se-ia sábio"
(William Blake)
O Louco - A Criança Interior. A pura inconsciência. Entendemos tudo que ocorre, mas estamos deslumbrados com o mundo e com o nosso próprio Eu. Então, queremos partir para uma vida melhor, mas nos falta inteligência e atiramos para todos os lados sem um alvo certo, sem nos preocuparmos com o que pode acontecer. Aqui temos uma energia sem limites, e perambulamos, incansáveis, pelo universo sem nenhuma finalidade especifica.
"De outras coisas nunca farás o Um,
enquanto não te houveres,
primeiro, convertido no Um."
(Dorn)
O Mago - A Inteligência nos chega. Então, nos desperta o desejo de criar, de verbalizar, de entender, de direcionar. Nos conscientizamos do mundo espiritual, pois é o principio de tudo, da magia, da ligação com o Divino, é o primeiro contato com a nossa essência. Mas ainda nos falta intuição.
Se o Louco é o impulso profundo do inconsciente que nos incita a buscar, o Mago simboliza um fator em nós que dirige essa energia e ajuda a harmonizá-la.
"O mundo mudará menos com as determinações do homem
do que com as adivinhações da mulher".
(Claude Bragdon)
A Suma Sacerdotisa - A Intuição. Há um chamado, a voz interior pedindo que olhemos para dentro de nós. Já temos o alvo, a inteligência e agora a intuição.
O poder do Mago é o fogo: o poder quente, brilhante, rútilo do sol. O poder da Suma Sacerdotisa é a água: o poder frio e escuro, fluido da lua. Ele controla por meio da força rápida, do conhecimento, da idéia. Ela governa pela lenta persistência, pelo amor e pela paciência feminina.
"A geração é o mistério pelo qual o espírito se une à matéria:
em razão disso, o Divino se torna humano".
(Papus)
A Imperatriz. A Grande Mãe. A criatividade, a fertilidade. Aqui conseguimos, expressar, gerar, criar e aprendemos a amar. O amor é a essência de tudo, a força impulsionadora que nos move, que nos realiza.
A Suma Sacerdotisa é paciência e espera, passiva; a Imperatriz é ação e conclusão.
"Um se transforma em dois, dois se transforma em três,
e do terceiro vem o um como o quatro".
(Maria Prophetissa)
O Imperador - A Vontade. Estabelecer bases sólidas e duradouras. Com objetivo, inteligência, intuição, criatividade e vontade tudo se torna mais fácil. Mas ainda nos falta consciência.
Aqui começa o entusiasmo esse fogo interior, a liderança, o poder sobre as coisas.
"A alma do homem é
naturalmente religiosa".
(Orígenes)
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O Papa - Sabedoria. Sabemos como agir, como nos posicionar, estamos cientes, mas ainda estamos no plano mental. Temos aqui uma necessidade de uma vida interior de lógica e razão no mundo espiritual.
Quanto mais o homem perde contato com a própria experiência imediata do espírito, tanto mais passa a depender do dogma destilado da mística experiência dos outros.
"O lunático, o enamorado, e poeta.
Têm todos a imaginação compacta..."
(Shakespeare)
O Enamorado - Livre Arbítrio. Não há crescimento sem autonomia. Aqui temos a capacidade de escolha. Se não ficamos atravancados no caminho.
Podemos ver o vagaroso ego, pronto a enfrentar a vida e seus problemas sem a ajuda de ninguém. Precisa, portanto, encontrar, dentro de si mesmo, a força para enfrentar a confrontação; precisa assumir, sozinho, a responsabilidade por qualquer ação que pratique em relação a ele.
"O eu utiliza a psique individual como meio de comunicação.
O homem, por assim dizer, é propelido ao longo da estrada para a individuação".
(Jung)
O Carro - O Triunfo. Aqui já começamos a ter êxito merecido. Já sabemos escolher, temos capacidade para governar o nosso próprio caminho. O triunfo é a vontade dirigida. A energia está voltada para a nossa independência.
Simbolicamente, o carro tem poderes celestiais que fazem dele um carregador ideal para a jornada rumo a individuação.
"O equilíbio é a base da Grande Obra".
(Aforismo alquímico)
A Justiça - Equilíbrio. Conhecer o bem para segui-lo, conhecer o mal para evita-lo. As energias devem ser afinadas, sintonizadas e moderadas. Ainda não há equilíbrio perfeito, percebemos a distância que temos em nosso interior. Não há equilíbrio perfeito sem o reconhecimento das sombras.
Os dois pratos da balança permanecem vazios, prontos para aceitar e receber a dualidade humana. Só na medida em que também aceitamos a nossa natureza dupla seremos capazes de abordá-la e compreendê-la.
"Quem olha para fora, sonha: quem olha para dentro,
acorda".
(Jung)
O Eremita - Sabedoria. Sabedoria é um estado de compreensão da própria alma. Aqui chegamos ao autoconhecimento, nossa auto-afirmação astral. Simboliza a iluminação nos três mundos; físico, mental e espiritual, adquirimos uma luz interior.
A chama que o Eremita segura poderia apresentar o espírito quinta-essencial inerente a toda vida - aquele âmago central de significações que é o indefinível quinto elemento a transcender os quatro elementos da realidade mundana. Oferece-nos a luz interior cuja flama dourada é a única que dissipa o caos e a treva espiritual.
"Tudo vai, tudo volta,
eternamente gira a roda do ser...
Tortuoso é o caminho da eternidade".
(Nietzsche)
A Roda da Fortuna - Roda das Oportunidades. Tudo gira, tudo roda, tudo muda mais cedo ou mais tarde. Aqui devemos nos livrar da periferia da alma e buscar o nosso centro. O tempo não pára, hora em cima, hora embaixo. Devemos procurar uma plataforma acima de tudo, que só o conhecimento interior e experiência nos dá.
A vida se apresenta aqui como um processo - como um sistema de constante transformação, que envolve igualmente a integração e a desintegração, a geração e a degeneração.
"Do comedor saiu comida,
e do forte saiu doçura".
(Juízes 14:14)
A Força - Coragem. Dominar os instintos que interferem na nossa busca. Domar o leão significa domar os nossos medos, domar nossas brutalidades, domar a matéria. A sabedoria está em não desprezar o inferior, mas em superá-lo. Sem a coragem, a vontade, a força, somos um navio sem comandante. O potencial está latente em nós e devemos acioná-los para fazer as coisas acontecerem.
As energias outrora empenhadas na adaptação exterior começarão agora a preocupar-se mais com o crescimento interior.
"...não é a sangria que chama o poder.
É o consentimento".
(Mary Renault)
O Enforcado - Espiritualidade. Não adianta trilhar um caminho de luz, de evolução sem se espiritualizar. Aqui precisamos a rever nossas vidas e curar velhas feridas. Nesse estágio estamos abandonando, renunciando tudo que se tornou obsoleto na nossa verdadeira jornada. Estamos olhando tudo por outro ângulo, para entender o outro lado da vida. Vencemos a vida, quando nos vencemos.
Todas às vezes que nos encontramos na posição do Enforcado, devemos não só explorar atitudes conscientes que a vida está tentando desalojar e perturbar, mas também sentir o sabor da nova experiência. Uma boa maneira de aumentar o sentimento em relação que a vida oferece ao Enforcado é fechar os olhos e tentar entra-lhe no corpo.
"Enquanto não morreres e não tornares a levantar-te,
será um estranho para a terra escura".
(Goethe)
A Morte - Transformação. Começa aqui o verdadeiro desmascaramento do ego. O primeiro contato com o mundo das sombras. Nesse estágio implica na necessidade de nos transformarmos para voltar a viver uma vida melhor. O Universo é feito de caos e ordem.
Entre os dois mundos há uma interrupção, uma solução de continuidade... Pois a passagem do mundo profano para o mundo sagrado supõe, de certo modo a experiência da morte; aquele que efetua a passagem morre para uma vida a fim de lograr acesso a outra... a vida em que se torna possível a participação do sagrado.
"Cada haste de relva tem o seu Anjo,
que se inclina sobre ela e sussurra:
Cresce, cresce!"
(Talmude)
A Temperança - Fé. Encontrar-se a si mesmo, isso e magia. Transmutar o chumbo dos nossos bloqueios em ouro de nossa consciência. Aprender com suas feridas e não lamentar as perdas ocorridas.
Simboliza, tradicionalmente a dissolução de velhas formas e o desatamento de laços rígido, anunciando uma libertação do mundo dos fenômenos.
"Você tem subestimado o diabo.
Ainda não posso persuadir-me.
De que um sujeito todo enchapelado.
Tenha de ser alguma coisa!".
(Goethe)
O Diabo - Flexibilidade. Aqui a vontade humana age livremente. O potencial de auto destruição, aprisionamento, se eleva pelos instintos passionais. O outro lado do poder
Chegou o momento de enfeitarmos o diabo. Como figura arquetípica importante ele pertence propriamente ao céu. Mas caiu.... Segundo suas palavras pediu demissão. Disse que merecia uma oportunidade melhor. De acordo com a maioria dos relatos, ele foi despedido. O seu pecado foi a arrogância, o orgulho. Ele era prepotente, ambição em demasia, e um alto sendo inflado do próprio valor.
"Eu sou o Senhor e não há outro.
Eu formo a luz e crio a treva.
Faço paz e crio o mal.
Eu, o Senhor, faço todas estas coisas.".
(Isaías)
A Torre - Libertação. É preciso que o fogo Divino revigore a nossa consciência. Não há penetração de luz, se a nossa mente estiver fechada. O despertar pode não ser agradável, mas é necessário.
O relâmpago tem sido experimentado como símbolo da energia Divina, força misteriosa emanada de Deus. Representa o poder e iluminação em sua forma mais primitiva e imediata.
"Céu em cima, Céu embaixo,
Estrelas em cima, Estrelas embaixo,
Tudo que está em cima Está embaixo também.
Entende isto e rejubila-te!"
(Texto alquímico)
A Estrela - Inspiração. Após o susto surge a tranqüilidade. Fé em nós mesmos, comunhão com a natureza, humildade da alma, harmonia. Aqui valorizamos a luz pessoal. O paraíso e o inferno estão aqui só escolher onde queremos ficar.
Em a Estrela, uma sacerdotisa da natureza inicia a tarefa de descobrir nos acontecimentos da existência terrestre um padrão correspondente ao do desenho celeste. Sentimos que o ritmo com que despeja a água se harmoniza com a dança cósmica no alto.
"Um sítio sagrado!
Tão sagrado e encantado.
Quanto o que, alguma vez, sob a lua minguante,
foi assombrado. Por uma mulher chorando seu amante-demônio".
(Coleridge)
A Lua - Armadilha. O medo é o último estágio para nos integrarmos com a nossa própria consciência. O mundo das aparências de ser finalmente vencido. Nesse estágio a lua é também uma grande parceira nesta jornada; os elementos, a magia, o mistério, tudo que está oculto e o fascínio que essas forças nos exercem, permitindo nos renovar e nos curar.
Para poder descer aos infernos, os xamãs primeiro vão para o Céu. Subir ao mais alto permite descer ao mais profundo. Vamos descer às profundezas, nelas se escondem os segredos, a memória do Universo, os "Arquivos Akashicos". A água desse lago é escura: aqui se encontram as águas profundas do inconsciente, do oculto. O domínio de Lilith e de Plutão.
(Hervé D'assigny- Passagens Secretas)
"Nem indistinto, nem vermelho,
como a própria cabeça de Deus,
o glorioso sol nado..."
(Coleridge)
O Sol - Celebração. Aqui celebramos a vida. Depois de um período de profunda escuridão, podemos, enfim, enxergar a luz quente que penetra nossa alma. Reconhecemos a nossa luz interior. Somos o centro do nosso Universo. Aqui tudo flui!!!
"O verdadeiro Poder não é o dinheiro, nem ser Presidente ou Rei de um país, nem mesmo o Conhecimento, nem mesmo a inteligência em si. O centro do sistema solar é o Sol. O verdadeiro Poder é o Sol, a consciência, ou para melhor dizer,"Chit Agni" in sanscrito, Consciência-Fogo. Somos esse Poder. Somos um centro de consciência capaz de abranger o Universo" (Hervé D'assigny- Passagens Secretas)
"Eis que vos digo um mistério: Nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar a última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mental se revista de imortalidade". (I Coríntios)
O Julgamento - Renascimento. Somos capazes de visitar os mundos de luz e sombras, sem nos atingir, pois, estamos centrados. Recriar a própria vida isso sim é uma grande magia.
"Morte e ressurreição. Precisamos morrer, de vez em quando, para poder ressuscitar. Morrer, para nos livrar do que envelheceu, se petrificou, e ser jovens de novo: começar de novo.
Esquecer, esquecer até talentos para desenvolver novos talentos. Como também nossos talentos mortos devem ressuscitar. Precisávamos deixar morrer nossa intuição, para desenvolver uma nova forma de inteligência, a inteligência racional. Agora, precisamos ressuscitar nossa intuição, para usar a inteligência total".
(Hervé D'assigny - Os Segredos se escondem em nosso Mundo Interior: Passagens Secretas)
"No ponto imóvel de mundo que gira.
Nem carne e nem sem carne; Nem de nem para;
no ponto imóvel, lá está a dança. Mas nem parada nem movimento".
(T.S. Eliot)
O Mundo - Totalidade. Estamos aptos a integração, somos seres completos, resgatamos nossa atividade anímica. Quando estamos completos, o mundo está completo e nós estamos no mundo. E nos divinizamos cada vez mais nas jornadas seguintes.
"O Arcano 21 é um Arcano holístico, o Arcano da totalidade, o arcano da Realidade na sua majestosa plenitude, sim o arcano do Paraíso terrestre. Através desse arcano podemos obter uma comunicação verdadeira com a Realidade de um mundo feito de consciência e de inteligência. Tudo é consciente, tudo é muito inteligente e competente para realizar sua tarefa".
"O mundo, antes de se manifestar materialmente, se manifesta no astral, é o mundo astral. Antes de se manifestar no nível astral, existia-não-existia no nível espiritual. O mundo real, ao mesmo tempo, é espiritual, astral e material. Qualquer coisa, um ser humano ou uma pedra existe no mundo espiritual, astral e material".
(Hervé D'assigny - Os Segredos se escondem em nosso Mundo Interior: Passagens Secretas)
Tarots utilizados:
Barbara Walker
Ancestral Path
Tarot Egipcio
Visconti