ARCANOS MAIORES

O TAROT E O AUTOCONHECIMENTO

Quando mencionamos a palavra título deste trabalho, embora conhecida de todos aqueles que buscam um aperfeiçoamento interno, sabe-se que pouco realmente se compreende de seu significado. Como a própria palavra sugere, refere-se ao conhecimento que cada indivíduo, como responsável única e exclusivamente pelo meio em que vive e tudo que o envolve, pode e deve, possuir de si mesmo. Em última instância, todos os nossos desentendimentos (internos ou coletivos) são resultantes da falta de conhecimento de nossos próprios defeitos e virtudes.

Uma vez que temos a consciência necessária para manipulá-los de forma adequada e com sabedoria, cessam-se os desequilíbrios internos e, conseqüentemente, suas projeções externas.
As inscrições no Templo de Apolo, em Delfos, insinuam-nos a natureza humana como sendo a projeção (senão, reflexo, etc.) de algo superior, do Universo (harmonia perfeita), de Deus, do Logos ou de outro nome que lhe queiram dar, pouco importa. Uma vez que expressamos tal reflexo, devemos transparecer esse mesmo Equilíbrio em nós, conseqüentemente, em nosso meio, com as pessoas de nosso convívio diário.


Segundo as Tradições Sagradas Orientais, e que hoje figuram com grande penetração no Ocidente, o ser humano traz em seu íntimo aquilo que podemos denominar de “tendências positivas” e “tendências negativas”. Em tempo, “skandhas” e “nidhanas”, respectivamente, para que se preserve o sentido original das palavras.


Grosseiramente, pode-se considerá-las como potencialidades positivas e negativas que dormem em nosso subconsciente, até manifestarem-se em nossa consciência através de virtudes e vícios. O mistério não reside em conhecê-las apenas, e sim, equilibrá-las.

Tal qual o Universo, a Natureza, traduzindo o Som do Logos no mais perfeito Equilíbrio Dinâmico que se conhece. O ser humano, trazendo suas “skandhas” e “nidhanas” em perfeito equilíbrio, é capaz de traduzir a linguagem da Natureza, comunicar-se com seus elementos, Amar, perdoar e realizar a Obra Divina na Face da Terra, sem a presença de obstáculos internos que o induzam ao erro. Este, seja de que natureza for, nada mais é do que o desequilíbrio com as Leis Universais.

“Trabalhar pela Humanidade, é a única forma de servir à Divindade”. Por isso, ao longo dos tempos, vários Avataras, Adeptos, Seres Iluminados, vêm cumprindo sua Missão na Terra em prol dessa mesma Humanidade. Vários deles ensinaram meios para que os homens pudessem alcançar esse equilíbrio. Dentre Eles, cada uma “escolheu” um estado de consciência, um “Raio Planetário”, traduzindo para a humanidade seus ensinamentos, os quais, em linguagem simbólica, seriam incompreendidos pela grosseira mente humana, em sua maioria.

Assim sendo, dentro das sete chaves do conhecimento e dos ramos da ciência, bem como suas subdivisões, temos seres como Yeseus Krishna e o Príncipe Sidharta Gotama (o Buda) no Oriente, Jeoshua Benpandira (Jesus, o Cristo), Conde Saint Germain, Helena Petrovna Blavatsky (HPB), Ludwing van Beethoven, Wagner, Bach, no Ocidente, inclusive Henrique José de Souza (JHS), no Brasil, etc.

Embora muitos Deles não sejam conhecidos pela grande maioria da humanidade, sendo-O apenas por aqueles que se dedicam aos estudos dos Mistérios Celestes, Ocultismo, Teosofia, ou outro nome que lhe queiram dar. Seus ensinamentos, no entanto, permanecem vivos e infiltrados no Seio da Humanidade através de seus discípulos e simpatizantes, à parte vínculos com quaisquer Instituições ou Ordens Iniciáticas determinadas a propagar Seus legados através dos tempos, sempre renovados pelos Ciclos.  

No antigo Egito, havia um Ser com a denominação de Hermés, o Trimegisto (o Três vezes Grande) o qual legou àquela civilização um enorme cabedal de conhecimento, traduzidos em livros e em outras escrituras. Ao que parece Hermés não foi um único Ser, mas uma corte de Adeptos que visaram a instrução da sociedade da época por meio de Escolas Iniciáticas, as quais, ainda hoje perduram.

Assim, para ocultar as verdades sagradas, criaram eles um livro composto de várias lâminas ou figuras, que as encerram de uma maneira sintética. (“Segundo uma tradição muito antiga, diz-se – que Thot – uma das divindades egípcias, - na sua passagem pela Terra, ensinou aos antigos moradores do Nilo a arte de escrever, a maneira de dividir o tempo, averiguar enigmas cifrados nas medidas e, após haver declarado de viva voz o mistério da vida e da morte, legou-lhes um livro, no qual se encontrava “aquela coisa” que dá conhecimento de tudo o mais.”1 [1]).


“O Livro de Thot, como assim ficou conhecido, estava integrado por 78 lâminas de ouro, em cada uma das quais esmaltara seu autor diversos signos, letras e números, ordenados de tal maneira, que cada lâmina ocupava determinado plano, e permitindo que na série de 78 lâminas estivessem presentes todos os símbolos, letras e números que os egípcios conheciam na época.

Os ensinamentos contidos em tal obra foram divulgados muitos anos mais tarde, entre a casta sacerdotal, dizendo-se a respeito que, ao retirarem-se os israelitas do Egito, Moisés levou consigo parte dessas lâminas. Relacionando então, parte das primeiras 22 com as 22 letras do alfabeto hebraico, converteu-as nos ARCANOS MAIORES, que explicam graficamente o sentido dessas letras e facilitam a sua aplicação prática, inclusive o descobrimento de múltiplas incógnitas, sendo que, em muitas delas, os 22 Arcanos Maiores são assistidos pelos 56 Menores; a virtude de atualizar em nós outras determinadas faculdades primárias prestando-se a interpretar e fazer inteligível o saber que essas faculdades expressam acerca de determinado tema” 2 [2].  

Dessa forma, o emprego do TAROT ultrapassa os limites do antigo Egito, para iniciar sua trajetória ao longo do Itinerário da Mônada Humana. “São os boêmios, naturais da Boêmia, e boêmio é também o dialeto dos mesmos. Os ciganos, por outro lado, naturais da Boêmia e Moravia, região da Europa Central, não sendo de duvidar-se os ciganos oriundos do baixo Egito (...).

A origem do Tarot dos Boêmios pode ser relatada a partir da Idade Média, ou melhor, dos meados da Idade Média, ocasião que apareceu na Europa, trazido que foi pelos boêmios um certo número de lâminas estranhas, das quais surgiram mais tarde as famosas cartas que usamos para jogar, com seus 4 naipes. Cada naipe possui 14 valores, a assim sendo nos endereça aos 56 Arcanos Menores, inclusive os 4 curingas (...).

No século passado um grupo de filósofos, tendo à frente o Dr. Papus, o sábio Estanislau Guayta, Ste. Yves D’alvedre e outros, procurou restituir, tanto quanto possível às suas formas primitivas, essas famosas lâminas, por guardarem e serem portadoras de um significado (no mínimo3 [3]) muito interessante, parte que fazem da linguagem dos símbolos, da linguagem hieroglífica, não, porém, no sentido da linguagem sacerdotal, mas sim de uma linguagem que deu origem a todas as tradições, que se consubstanciam naquilo que, nós denominamos de Mosaico.

Os antigos egípcios expressavam as suas idéias a respeito da Cosmogênese e da Antropogênese nessas línguas ou nessas lâminas, como que em procura de ideogramas simbolizadores dos seus conhecimentos a respeito da formação dos Universos, da origem dos homens, das Leis que regem os seres em todos os planos da existência (grifo do autor).

Em tais condições, não há que admirar que, pelo fato de o Papa Clemente XIV, tendo encontrado na Biblioteca do Vaticano alguns manuscritos hebraicos, atribuindo-os a Simão Ben Jokay, encarregar viesse o Abade Lany de decifrá-los, deste tendo em vista de profundo conhecedor dessa linguagem antiga, visto tratarem os aludidos manuscritos das famosas Lâminas de “Thot-Hermés”, deram, então, estas, oportunidades de pesquisas maravilhosas das velhas tradições egípicias, tendo sido usadas como uma ciência divinatória (note-se que a palavra “divinatória” difere de sua aparentada “adivinhatória”, o que, em verdade, a primeira refere-se aos estudos ligados ao Espírito, algo dito divino, por isso, superior4 [4]), encaminhando ao descobrimento dos laços existentes entre o mundo sutil e o mundo visível.

É oportuna a referência de uma obra rara, de um valor extraordinário, que relata uma palestra, levada a efeito entre o Cardeal de Rohan e o Abade de Lany, recém chegado aquele de Viena para tratar do casamento de Maria Antonieta; procurara então o Abade, para tomar conhecimento do destino dos futuros Reis... “O Homem Vermelho”, das Tulherias, como era conhecido o Abade, predisse, nessa ocasião, uma grande perturbação de ordem pública, que acabaria depondo a realeza e abalando a própria Igreja nos seus fundamentos, acrescentando, ademais, que, por final, seriam decaptados através de um aparelho que ainda não fora inventado.

Acusado de ter desvendado os segredos de Deus, ao Abade Lany foi imposta a destituição de seu poder, bem como jogado na Bastilha, onde deveria permanecer até que eclodisse os eventos já conhecidos pela história (França, julho de 17895 [5]), levando a retomada dessa fortaleza pelo povo6 [6]”.  

Alguns séculos antes dos eventos mencionados acima, “um monge alemão, Johannes, descreve um jogo chamado Ludos Cartarum, que se jogava no ano 1377. Coveluzzo, cronista do século XV, relata que havia sido descoberto um jogo de cartas em Viterbo, no ano 1379. Em 1369, Carlos VI de França aprova um decreto interditando diversos jogos de azar; no entanto, os jogos de cartas não são mencionados no referido decreto.

No entanto, 28 anos mais tarde, o Prevot de Paris, num decreto datado de 22de janeiro de 1397, proíbe os trabalhadores de jogarem tênis, à bola, às cartas e ao chinquilho, exceto nos dias de festa. Aceita-se que as cartas de jogar terão feito a sua primeira aparição na Europa, provavelmente durante a 2ª metade do século XIV.

Durante o século XV as cartas de Tarot eram desenhadas ou pintadas para as Casas Reais do Norte da Itália e França. Em conseqüência, o número de jogos aumentou devido à utilização de gravuras em madeira, pele e cobre. No século XVI, um jogo de Tarot, já modificado, conhecido por “Tarot de Marselha” tinha ganho popularidade.

Existem, nos Arquivos da Biblioteca Nacional de Paris, 17 cartas dos Arcanos Maiores que se pensa, talvez erradamente, terem sido pintadas por Jacquemin Gringonneur, para Carlos VI de França. Estas cartas podem ser de origem veneziana mais tardia, possivelmente, cartas do Tarot veneziano do séc. XV.
 
A Biblioteca Pierpoint Morgan, em Nova Iorque, possui 35 cartas de um jogo de Tarot de 78 cartas que remonta a 1484 e que se atribui a Bonifácio Bembo ou a António Cigognara.

Este baralho pertenceu, aparentemente, ao Cardeal Ascanio Mario Sforza (1445-1505) ou a sua mãe Bianca Visconti Sforza. Pensa-se que estas cartas representam cenas da época e que não seriam utilizadas para jogar.7 [7]”
“O vocábulo Tarot condensa um sentido profundo, quando investigado no seu ponto de vista etmológico. TARA é, também, um vocábulo pertencente à língua celta; sim, TARA é o nome da capital de TUATH ANANDA, cujas ruínas ainda se encontram próximas de Dublim; era a cidade dos mistérios. (...)


Interessante que esta palavra TAROT, nos vocábulos ou na linguagem semítica, usando o processo da temura, consiste na permutação de letras, endereça-nos à palavra TORAH, a que os Rabinos denominam de Lei...


As Lâminas do Tarot ou Torh, num total de 22, merecem de nossa parte algum cuidado, no que diz repeito à sua interpretação e, até mesmo no exame dos símbolos de que se revestem. Neste ponto mister que nos detenhamos nos símbolos dos Templos antigos, do Egito, ainda que transformados, como podemos ver nos Taros da Alemanha, países baixos da Espanha, por guardarem estranha semelhança com aqueles que estão expostos nas lâminas...8 [8]”  

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1[1] “Cabala de Prediccion”, J. Iglesias Janeiro
2[2] “Cabala de Prediccion”, J. Iglesias Janeiro
3[3] Nota do autor
4[4] Nota do autor
5[5] Nota do autor
6[6] Apostila de estudos complementares, Série Juventude, Prof. Sebastião Vieira Vidal.
7[7] “The Key of the Tarot”, Arthur Edward Waite (introdução de Stuart R. Kaplan).
8[8] Apostila de estudos complementares, Série Juventude, Prof. Sebastião Vieira Vidal.
(texto extraído do site http://www.vidhya-virtual.com)

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